Raiz do Samba

Com objetivo de resgatar o verdadeiro samba de raiz e promover a cultura típica brasileira. As apresentações são estruturadas como as tradicionais rodas de choro e samba carioca, e oferecem ao público uma oportunidade para dançar, ouvir boa música e descontrair com os amigos. Realizado a cada 15 dias, às quintas-feiras na cidade de Bauru, o Projeto Raiz do Samba reúne um público descontraído, amantes do samba e choro e apreciadores da cultura brasileira.

O samba, como conhecemos atualmente, nasceu da influência de ritmos africanos, adaptados para a realidade dos escravos brasileiros e, ao longo do tempo, sofreu inúmeras transformações de caráter social, econômico e musical até atingir as características conhecidas hoje. Com o passar dos anos, sempre conduzido por diversos tipos de batuques, assumiu características próprias em cada estado do Brasil, não só pela diversidade das tribos de escravos, mas pela sua interação com as peculiaridade e características próprias de cada região. Na Bahia, por exemplo, desenvolveu-se os Samba-corrido, Samba-de-roda, Bate-baú, Samba-de-Chave e Samba-de-barravento, o Coco no Ceará, e a Trocada, Coco-de-parelha, Samba de coco e Coco-travado no estado do Pernambuco.

Foi no estado do Rio de Janeiro que o samba tomou sua forma como gênero musical urbano, incorporando características das umbigadas e batuques africanos com outros gêneros presentes na cidade e nas Côrtes, como a polca, o maxixe e o xote. Com a abolição da escravatura e deslocamento dos negros em direção a capital do país no meio do século XIX, as festas de terreiro, umbigadas e as marcações de capoeira ao som de batuques e pandeiros agora aconteciam nas casas das Tias Baiana, como Amélia, Ciata e Prisciliana. Estes encontros ofereciam um ambiente perfeito para experimentações e improvisações, originando diversas composições que marcaram a história do samba. O Samba de Partido-alto, “Pelo Telefone,” foi umas dessas obras e se tornou o primeiro samba a ser gravado em disco em 1917.

Após a primeira gravação, o Samba conquistou o mercado fonográfico e, com a inauguração do rádio em 1922 - único veículo de comunicação em massa até então -, alcançou as classes médias cariocas. O Samba, como o gênero musical urbano mais popular do Brasil, continuou se desenvolvendo durante todo o século XX, dando origem ao Samba-enredo e às escolas de Samba e ao Samba-canção na década de 20, Bossa Nova nos anos 50, e Sambalanço e Samba –funk na década de 60.

No início da década de 1960 foi criado o "Movimento de Revitalização do Samba de Raiz", promovido pelo Centro de Cultura Popular (CPC) em parceria com a UNE. No ano de 2004 o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, apresentou à UNESCO o pedido de tombamento do gênero "Samba", sob o título de "Patrimônio Cultural da Humanidade", na categoria "Bem Imaterial", através do Instituto Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). No ano de 2005, o samba-de-roda do Recôncavo Baiano foi proclamado pela Unesco "Patrimônio da Humanidade" na categoria de "Expressões orais e imateriais".